[Crítica] Musical 귀환 “The Promise of the Day”

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Recentemente, tive o prazer de assistir o musical 귀환 – 그 날의 약속 (O Retorno – A Promessa Daquele Dia), que tem como particularidade um elenco repleto de idols que estão, atualmente, servindo ao exército. Mesmo que tenha ido assistir para ver o Xiumin (Minseok, do EXO), em uma rara oportunidade de ver um integrante do EXO com maior proximidade, eu me surpreendi e me emocionei com uma triste história que marcou o povo coreano.

🎵 Sugestão para ouvir enquanto lê: 내가 술래가 되면 – tema de O Retorno

A História


O Retorno
é um musical original do exército coreano, homenageando os soldados que lutaram na guerra na década de 50. A história se passa em torno de Kim Seungho, mostrando seu passado ao ser convocado junto aos amigos para servir na guerra, e seu presente, quando acompanha seu neto Kim Hyunmin, que se ofereceu para participar em uma expedição em busca dos restos mortais dos companheiros de guerra de seu avô.

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Em um contraste emocionante entre um passado aflitante e um presente saudoso, o público se apega rapidamente ao protagonista, um avô carinhoso que visita, todos os dias, as proximidades de onde batalhou, com seus amigos que morreram na guerra em mente, enquanto, quando jovem, presenciamos um garoto positivo e cheio de sonhos, mas que teve que enfrentar a obscuridade da guerra.

Apesar da história triste, o musical tem inúmeros momentos divertidos, graças à dinâmica da amizade de Kim Hyunmin e Choi Woojoo, que estão se preparando para a entrevista do exército; em uma das músicas, Woojoo canta como seria incrível servir ao exército, fazendo uma analogia com Indiana Jones, com direito, inclusive, à icônica música temática do herói da Arca Perdida. No passado, também, a amizade de Seungho com os dois amigos, Lee Haeil e Oh Jingu, e seu interesse amoroso, Lee Haeseong,  irmã gêmea de Haeil, emociona com a inocência transbordada em músicas doces, interpretadas por jovens sonhadores que viam o futuro com otimismo.

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Enquanto os três amigos, homens, precisam servir o exército, Lee Haeseong se disfarça de homem para embarcar na batalha, com o objetivo de não ficar longe de seu amado Seungho, mas acaba se envolvendo avidamente na guerra e protegendo um grupo de jovens soldados que, apesar de quererem a honra de participar da guerra, também sonham em voltar pra casa vivos.

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Com o ápice da guerra sendo mostrada no passado, Seungho, no presente, presencia o exército encontrando, finalmente, seus amigos de guerra. Apesar da cena dos soldados coletando os ossos ser forte, as lágrimas correm os olhos emocionados ao ouvir Seungho agradecendo-os por tê-lo esperado no lugar prometido.


Um dos pontos fortes desse musical foi a ambientação de luz. Em vários momentos, cenas no passado e presente ocorrem ao mesmo tempo, e são marcadas pela iluminação avermelhada no passado e uma azulada no presente. Principalmente em duetos entre dois personagens de duas linhas temporais diferentes, esse artifício ficou ainda mais acentuado e bonito. A luz vermelha mais densa durante as cenas de guerra e o tom sépia em momentos pacíficos fazem jus a uma história que é toda baseada em contrastes. Ao fim, na última música, o tom extremamente forte de branco com um coro uníssono dos soldados finaliza com o que todos desejamos; paz.

Minha cena favorita é um paralelo entre o Seungho do passado aprendendo a andar de bicicleta, um momento extremamente emocionante onde todos os amigos estão compartilhando o que querem ser quando crescerem, de “pintora” à “piloto,” enquanto Seungho responde “alguém que anda de bicicleta,” já que nunca o tinha feito, e o Seungho do presente relembrando com seu neto sobre quando o ensinou a andar de bicileta. No passado, Haeil ajuda Seungho a andar de bicicleta pela primeira vez, enquanto, no presente, uma bela performance com os figurantes segurando guidões com a lanterna acesa das bicicletas dançam em volta de Seungho e Hyunmin.


Eu tive a oportunidade de ver o musical duas vezes, com uma leve mudança no elenco que deu um peso diferente em algumas cenas. Infelizmente, não pude assistir ainda com o Lee Jinki (SHINee), Cha Hakyeon (VIXX) e Lee Sungyeol (Infinite), mas peguei outras variações.

– Kim Seungho (passado)
Assista os dois Seungo (passado) cantando “Minha Infância”
Lee Jinki (SHINee):
n/a
Minseok (EXO): ele foi o motivo de eu ir ver este musical. Obviamente, conheço o trabalho dele como ator e como cantor, mas vê-lo como cantor de musical pela primeira vez confirmou mais ainda sua versatilidade e talento. Principalmente em cenas mais emotivas, a entrega vocal de Minseok cabia perfeitamente com o clima, mas sua voz doce também dava um ar ainda mais sutil para cenas igualmente graciosas. Tenho certeza que assistir com Onew é uma experiência completamente diferente, já que o vocal dos dois é bem contrastante, e diferentes momentos do musical podem ser exaltados por causa disso.

– Kim Seungho (presente)
Assista os dois Seungho (presente) cantando “Se Eu For o Pegue”*
Lee Jeonggyul:
 a voz de Jeonggyul é muito presencial, forte, macia. Ele foi um Seungho mais divertido, no sentido de sua personalidade, o que ajudou a balancear o peso do tema do musical.
Kim Soontaek: por sua vez, Soontaek foi mais emotivo, ainda que sua voz fosse muito mais doce que a de Jeonggyul — o que fez que ele mesmo combinasse como sendo o Minseok mais velho — ele deu um peso mais saudoso para a história.

*Nesse caso, “pegue” é no sentido de ser a pessoa que tem que procurar as outras na brincadeira de Pique-e-Esconde/Esconde-Esconde.

– Lee Haeil, Oh Jingoo, Lee Haeseong (passado)
Assista os dois Haeil, dois Jingoo, duas Haeseong cantando “Promessa”
Cha Hakyeon (VIXX), Lee Sungyeol (Infinite), Choi Soojin:
n/a
Lee Jaekyun, Kim Minseok (ator), Lee Jisook: apesar de muito curiosa e de ter certeza que qualquer configuração dos três amigos de Seungho, entre os atores que performaram neste musical, seria perfeita, eu me vi muito apegada à primeira formação que vi e fiquei muito feliz por poder vê-la de novo. Jaekyun fez o amigo mais velho, Haeil, sério e composto, que muitas vezes diz o que Seungho não quer ouvir, e sua voz calma transmite perfeitamente sua personalidade madura. Minseok, o xará do Minseok, tem uma personalidade mais fofa e animada, até inocente, ele, sendo baixinho e fofo na realidade, combinou com a personalidade do Jingoo. Já a Jisook, que interpretou Haeseong, tem um tom de voz diferenciado, que se ressalta em um elenco todo masculino, mostrando uma personalidade corajosa e protetora ao mesmo tempo.

– Kim Hyunmin (presente)
Assista os dois Hyunmin cantando “Primavera”
Go Eunseong:
talvez tenha sido, novamente, meu apego pelo elenco na primeira vez que vi o musical, mas Eunseong não foi um dos meus favoritos. Obviamente, ele canta extremamente bem, porém, na hora de mostrar a personalidade animada e energética de Hyunmin, faltava um pouco. Ainda ressalto que os números musicais foram inquestionavelmente bem entregues, com uma voz totalmente diferente de Jo Kwon, foi ótimo ter uma experiência diferente.
Jokwon: o papel de Hyunmin combinou com Jokwon, era praticamente como se ele não estivesse atuando. Suas músicas também eras as mais animadas e dançantes do musical, então, talvez eu estivesse mais acostumada a ver o Jokwon neste cenário. Foram os momentos em que eu mais sorria, até porque, a química dele com Sunggyu, no papel de seu amigo, era perfeita.

– Choi Woojoo (presente)
Assista os dois Woojoo juntos, mas sem cantar
Kim Sunggyu (Infinite):
 apesar da pouca aparição, o papel de Woojoo, assim como Hyunmin, serve para apaziguar o clima geral da história. A entrega do personagem foi completamente diferente entre Sunggyu e Jisung. Sunggyu deu um ar mais atrevido (como diria minha amiga; o próprio Sunggyu), dando uma dinâmica engraçada para a amizade dele e de Hyunmin.
Yoon Jisung (Wanna One): por sua vez, Jisung foi um Woojoo mais doce, fofo, até meio atrapalhado (como o próprio Jisung o é). Apesar da atuação ter sido bem diferente, os dois combinaram com seus respectivos Hyunmins. O orgulho de ver Jisung em um musical não se descreve, como um idol que debutou “velho para a indústria.”


Mesmo que não seja uma história que faça parte da minha vivência, do meu povo, é impossível não se emocionar com o musical. O contraste entre músicas imponentes, cantadas em coro para mostrar a força e o peso da guerra, com músicas calmas, com melodias doces, traduz perfeitamente a mistura de emoções que foi ver, em palco, a triste história de uma guerra que marcou a vida de milhares de pessoas.


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